Muitas pessoas são contra a abertura dos campos de concentração para visitação. Se pararmos para pensar naqueles que vão até o campo para fazer fotos sorrindo como se estivessem em frente a Torre Eiffel, realmente, é de se indignar. Mas fechar os campos ou destruí-los de vez, é acabar com uma parte da história da humanidade. Está escrito lá a frase de um ex-prisioneiro, chamado Andrzej Szczypiorski:

“And I know on thing more – that the Europe of the future cannot exist without commemorating all those, regardless of their nationality, who were killed at the time with complete contempt and hate, who were fortuned to death, starved, gassed, incinerated and hanged…”

Para chegar até o campo, é preciso ir de trem em direção a uma cidade chamada Oranienburg a 45km de Berlim. Nós fomos com a New Europe Tour, a mesma empresa do walking tour que relatamos anteriormente. O preço é 12/14 euros por pessoa e já inclui as passagens de ida e volta.

O campo de Sauchsenhausen era um campo de concentração, não de extermínio. Seus internos eram em geral presos políticos, judeus, ciganos, homossexuais e criminosos comuns. Mais de 200 mil pessoas, de 48 nacionalidades diferentes, passaram por seus pavilhões.  Estima-se que em torno de 50 mil tenham perdido suas vidas lá.

Este era um campo modelo, de onde a arquitetura e muitas das técnicas  de tortura foram replicadas em outros campos. O comandante do mais famoso deles, o campo de Auschwitz, foi formado em Sauchsenhausen.

Próximo a entrada, estava o cassino dos militares, onde muitas festas e jogatinas eram promovidas. Dizem, que uma das maiores torturas aos presos, era o cheiro da comida que vinha de lá. Também há um outro prédio com exposição de fotos,  cartazes, uniformes e objetos do exército.

Na entrada em si, está a torre A, de onde todo o campo era controlado. Em sua grade está escrito: “o trabalho liberta”. Os fornos de incineração ficavam anexados ao campo, pelo lado externo, e ironicamente eram chamados pelos guardas de torre Z. Assim que para sair do campo, os prisioneiros deveriam ir de A a Z.

Lá dentro, muitos dos pavilhões foram destruídos, e em seus lugares, existem pedras, que lembram o formato de um túmulo, marcando a posição de cada um deles. Em cima desses “túmulos” alguns pessoas deixam flores ou pedras. Os pavilhões que restaram são a cozinha, a lavanderia, o ambulatório, parte dos fornos e uma área para os presos políticos. Num dos pavilhões há uma exposição com objetos, cartas e fotos encontrados no campo.

No pavilhão onde ficavam os presos políticos as celas são individuais. Lá é possível ver vários objetos de tortura, entre eles o quebra-ossos. Segundo nosso guia, não se sabe exatamente como era usado o quebra-ossos, que era feito de concreto. Mas o objetivo dele nem precisa explicar.

Já os outros presos, que dividiam com 6 pessoas um mesmo beliche, trabalhavam nas fábricas da cidade. É, o trabalho liberta.

Na saída, ao invés do ônibus, vá a pé ate a estação. Você estará simulando a Todesmarsch, a caminhada de “libertação” ocorrida em abril de 1945. Derrotado, Hitler manda esvaziar todos os campos e acabar com todas as possíveis testemunhas. Os militares, levam os presos até a floresta para abandoná-los. Muitos debilitados e enfraquecidos morriam no caminho, uma forma fácil e “limpa” de execução.

Será um dia pesado e marcante. Você sairá do campo emocionado e sem energia. Não reserve muitas atividades para depois.

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