[Crônicas de Viagem]

Em Portugal encontramos alguns bons amigos, dentre eles o Rui. Boêmio nato, o primeiro local que nos apresentou foi um bar no bairro Alto em Lisboa com a cerveja mais barata do bairro. Posteriormente, já na cidade de Setúbal, Rui nos apresentou para sua família, e com certeza essa foi uma das melhores experiências de nossa viagem.

Na primeira noite em sua casa, nos ofereceram um jantar delicioso: caldo verde de entrada, pão, vinho e queijo. Para o prato principal, carne de porco à alentejana. No outro dia, partimos rumo a casa de veraneio da família na praia da Galé. No domingo, um típico almoço, com sardinhas assadas na brasa, salada, pão e queijo. E nos dias seguintes, passeios e jantares igualmente deliciosos.

Deram aula de hospitalidade, nos tratando com carinho e atenção, de tal forma que nos sentimos em casa. E o mais gostoso de tudo, era nítido que o faziam de maneira genuína e sincera, pelo simples prazer de receber bem. Uma família que sabe bem o significado da palavra “acolher”.

E foi num passeio de carro, ouvindo a coletânea de cd’s da Amália Rodrigues que ganhamos do pai do Rui, que ouvimos uma música que descreve tão bem esta família e o povo português.

UMA CASA PORTUGUESA

Numa casa portuguesa fica bem,
pão e vinho sobre a mesa.
e se à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co’a gente.
Fica bem esta franqueza, fica bem,
que o povo nunca desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho à alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo,
mais o sol da primavera…
uma promessa de beijos…
dois braços à minha espera…
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
e a cortina da janela é o luar,
mais o sol que bate nela…
Basta pouco, poucochinho p’ra alegrar
uma existência singela…
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.