Primeiro dia no Atacama. Desembarcamos no pequeno “aerodromo el loa Calama”  – menor do que esse só conheço o de Santorini – e uma senhora nos esperava com uma plaquinha onde estava escrito “Don Raupp” (chique, muito chique ser chamado de Don não é verdade?). Seguimos num carro privado rumo a San Pedro, numa estrada muito bem conservada e bem sinalizada, com as linhas de marcação no asfalto recém-pintadas.

Check-in feito, decidimos almocar e caminhar pela cidade para pesquisar os preços dos passeios para os dias seguintes. A recepcionista do hotel, que era muito divertida, nos indicou a Grado 10: porque tinha um veículo super equipado e um público mais jovem, “as outras agências são mais para abuelitos”.

A cidade é muito pequena, praticamente uma rua principal que pode ser percorrida em 15 minutos (ou menos). Você vai encontrar mercadinhos, lojas de artesanatos (todas idênticas), restaurantes e operadoras de turismo. E nas ruas laterais hostals e hotéis. Além disso tem uma praça principal com uma igreja, prefeitura, um museu.  E apenas 4 ou 5 caixas eletrônicos. E acabou a cidade que serve de base para todos os passeios no maior deserto do mundo.

Nas lojas e restaurantes, muitos dos funcionários são bolivianos ou santiaguinos (ou seja lá como chamam os que nascem em Santiago).

O ar é muito seco e na boca às vezes fica uma sensação de estar comendo terra. O sol é muito forte, tão forte que ao lado do museu tem um SOLmaforo, um medidor de raios UV. Quase não há vento durante o dia e à noite a temperatura começa a cair. As construções feitas de adobe e telhado de palha natural: impressionam pela isolamento térmico: mesmo com todo o calor na rua, a temperatura interna é muito agradável, tanto de dia quanto de noite. Dos 5 dias que estivemos na cidade, ligamos o ventilador apenas uma vez. À noite usávamos alguns edredons e cobertas, mas sempre estivemos muito confortáveis.

Voltando ao assunto das agências de turismo, fomos até a Grado 10 e gostamos deles de cara. Para não fazer nenhuma compra por impulso visitamos outras 4 agências. Os preços eram muito similares, mas a Grado 10 prometia uma qualidade superior. Apostamos na agência e não nos arrependemos nem um pouco.

Muito preocupados com os detalhes, a Grado 10 nos surpreendeu até mesmo quando não esperávamos mais nada deles. No caminho para os geysers del Tatio, eles forneciam cobertores para aquecer o corpo nas 2 horas de viagem gelada na madrugada, além de luvas e casacos térmicos para aqueles que estavam desprevenidos. As refeições eram muito gostosas e o atendimento muito cordial. Até mesmo no último passeio quando a moça aqui já estava muito cansada e não quis subir um morro, o dono veio oferecer ajuda para subir. O guia era excelente, muito bem informado e inclusive já havia vivido junto aos povos locais aprendendo sua cultura. Era um defensor das tradições atacameñas, da natureza e falava um excelente inglês.

O caminhão é um capítulo à parte. As poltronas são confortáveis, espaçosas e reclináveis. As janelas são grandes e tem uma boa abertura, para que seja possível fazer fotos durante o caminho (e serão muitas horas de viagem em todos os passeios). A janela dianteira também abre e por ela é posssível subir no  teto do caminhão. Nas lagunas altiplanicas, uma parte do trajeto é feito lá em cima (mas o frio é de lascar).

Embaixo, o caminhão tem vários compartimentos onde são guardadas mesas, cadeiras e até mesmo uma chapa, onde é feita a comida. A bebida vai desde sucos, cervejas, pisco sauer. Sempre geladinhos. Como as refeições são feitas no meio do deserto, eles controlam até mesmo a quantidade de guardanapos distribuídos: nenhum lixo pode ficar para trás.

Sobre a idade, eu diria que 70% do grupo que fez o passeio conosco tinha idade até 35 anos.

Valeu muito a pena fazer o passeio com eles. No próximo post, vamo indicar os preços das outras agências, passeios e horários de saídas.

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