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Vamos falar sobre o Chile novamente? Eu havia parado de escrever pois achei que seria de mau gosto ficar falando sobre este ou aquele hotel/restaurante enquanto uma tragédia abalava o país. Agora que tudo voltou a normalidade, acho que é uma boa hora para retomar as coisas legais que fizemos por lá.

Mas antes de retormar a série, vou contar um “causo” aqui, que tem a ver justamente com terremotos!

Numa manhã de descanso no Atacama, estava eu deitada na cama, tentando acessar a internet e o Vini ao meu lado. O Vini não consegue parar muito tempo quieto e principalmente, me deixar quieta. As vezes estou concentradíssima no computador e ele fica me incomodando ou então fazendo brincadeiras, enfim, chamando atenção.

De repente, o quarto começa a tremer. Eu estava tão concentrada, que achei que mais uma vez era o Vini. Então ele me olha e diz: você está sentindo isso? Eu respondo: sim, é tu sacudindo a cama! E ele: não sou eu não!

E aí caiu a ficha de que não era o meu marido, mas sim um terremoto real.

Imaginem que essa cena toda durou sei lá, 40 segundos. A sensação é igual a de uma turbulência de avião, mas uma turbulência horizontal (em vez movimentos para cima e para baixo, movimentos para os lados).

Foi um terremoto fraquinho, escala 4. A notícia saiu aqui. O quarto sacudiu, mas nada quebrou, nada saiu do lugar, ninguém se feriu. Foi apenas uma aventura, dessas que só é divertida porque não teve nenhuma tragédia. Quer dizer, a única tragédia é eu ter certeza que meu marido incomoda tanto, mas tanto, que eu até o confundi com um terremoto. Socorro!

Nosso roteiro no Atacama estava indo bem. Fizemos o tour astronômico no primeiro dia, Lagunas Altiplâncias e Cejar no segundo, Geyser, Valle de la Muerte e la Luna no terceiro. E ainda comemoramos o ano novo. Ufa! Estávamos podres de cansados e sem nenhuma passeio reservado para o quarto dia. Então fomos atrás de um passeio pelo Salar de Tara. Não esperávamos que seria tão complicado.

Já era tarde, mais de 21 horas. Começamos a buscar de agência em agência, seguindo do fim da Rua Caracoles em direção ao início, incluindo as ruas laterais. Muitas agências já estavam fechadas e outras ou não ofereciam Salar de Tara ou já estavam lotadas. Por alguns momentos, não conseguir o tour era um alívio. Isso significava que poderíamos dormir até mais tarde e recuperar as energias. Mas também significava um dia muito monótono, sem nada para fazer.

Enfim encontramos uma agência com 2 lugares disponíveis. Cinco minutos depois, entram 2 brasileiros buscando pelo mesmo tour. Sinto muito rapazes, pegamos os últimos lugares e daqui até o fim da Caracoles não há nada disponível. E eles dizem que passaram em todas as agências desde o ínicio da Caracoles e nada também. Nos sentimos os mais sortudos!

Mas a agência, que é uma das maiores da cidade, não aceitava cartão de crédito. E o vendedor nos avisou: todos os caixas da cidade estão sem dinheiro. Não!!!! Não podíamos acreditar naquilo. O dinheiro que tínhamos não era suficiente (o tour era o mais salgado de todos: 45 mil pesos por pessoa). Ainda tentamos fazer uma troca no hotel, mas eles também não tinham dinheiro disponível. O vendedor disse que poderíamos deixar um documento nosso como garantia, mas era sábado e ficamos com receio de que não repusessem dinheiro até segunda-feira, dia em que íamos embora. O jeito era desistir mesmo. A única coisa que pensamos foi: @()$*%&$(&%*!

Acordamos um pouco desanimados: e se nos arrependessemos muito por perder o Salar de Tara? Afinal, não pretendíamos voltar ao Atacama. O jeito era relaxar. Fomos caminhar pela cidade, fazer algumas fotos, conhecer o museu Padre La Paige. Mas era 13hs e já não havia mais nada para fazer. O Vinicius  estava mais chateado do que eu e quando sugeriu alugarmos uma bike eu concordei na hora, pois sei que ele ama andar de bike e pratica até dow hill. Só que eu, tirando o passeio super fácil que fiz na Vinícola Casa Silva dias antes, nem lembrava a última vez que tinha andado de bike.

As rotas possíveis eram Valle de la Luna (que já conhecíamos) ou Pukara de Quítor (3km) e Quebrada del Diablo (12km). Adivinha qual rota ele escolheu? Fiquei quieta e pensei com meus botões: beleza, não vou aguentar nem chegar na Pukara, mas vamos lá, quando eu desmaiar ele vai mudar de idéia.

Voltamos para o hotel para trocar de roupa, compramos água e frutas e seguimos rumo. A maior parte do caminho foi tranquila. O Vinicius me perguntava de 2 em 2 minutos: você está bem? Quer parar? Após passar pela Pukara de Quitor (sim, eu consegui!) paramos embaixo de uma árvore para tomar água, comer uma fruta. E bora de novo.

O mais difícil não era pedalar, era pedalar com aquele calor. Tudo que eu queria naquele momento era encontrar uma cachoeira. Ao que o Vinicius respondeu: “não sei se você se deu conta, mas está no meio do deserto”. “Eu sei, mas eu ainda assim posso sonhar com uma cachoeira”.

Depois de muitos quilômetros, chegamos em uma bifurcação. Todas as placas apontavam para o mesmo lado. Mas  o caminho era uma fria, só subidas. Aí eu desisti mesmo. Não tinha como enfrentar aquilo. O lugar era muito bonito, fizemos umas fotos e retornamos.

Ao chegar novamente na bifurcação, passou um pequeno grupo em bike e uma das meninas disse: ali adiante tem uma piscina natural incrível. E aquilo era tudo o que precisávamos. Entramos de roupa e tudo. Nossa temperatura corporal deve ter ido de 1000 graus para 10. Que lugar! O Atacama é assim, cheio de surpresas.

A água gelada nos deu ânimo para reinicar a pedalada. Um morador veio conversar, nos explicou que a Quebrada del Diablo iniciava logo ali e que a placa estava com outro nome: Quebrada Chulacao.

E então iniciamos a Quebrada. Nossa. Que lugar.  A trilha seguia por dentro de pequenas cavernas e muitas vezes precisávamos abaixar a cabeça para não bater nas rochas, que ganhavam um coloração avermelhada com a luz do sol. Por duas vezes tivemos que erguer a bike sobre os altos degraus naturais que se formaram para dar continuidade ao passeio. Seguimos até o fim da trilha, muito felizes, muito impressionados com a natureza. Nem o sol atrapalhava mais, tamanha era o fascínio que o  lugar exerceu sobre nós.

Tá vendo essa foto abaixo? Consegue enxergar o caminho demarcado? Pois essa é a Quebrada del Diablo. Foi um dos passeios mais fabulosos que fizemos e o melhor: não havia mais ninguém lá, só nós e o deserto. A impressão que eu fiquei, é que a maioria das pessoas segue somente até o começo da Quebrada. Ninguém vai adiante. Ou pelo menos, não naquele dia.

Eu me empolguei tanto, que na volta já me sentia uma profissional. Me senti “A” esportista, inclusive derrapando a toda velocidade pela terra fofa que surgia em alguns trechos. O Vinicius se surpreendeu tanto com minha desenvoltura que nem precisava mais se preocupar comigo pelo resto da trilha. Agora me respondam: eu não mereço o prêmio de melhor esposa do ano???

Brincadeiras à parte, nós elegemos esse o nosso passeio favorito. Recomendamos fortemente que vocês o façam também. Não é difícil. Se eu fiz, qualquer um pode fazer também. O melhor horário para iniciar é o que fizemos, lá pelas 14hs/15hs. No início vai estar bem quente, mas na volta será muito agradável. E o preço da brincadeira? Apenas 3 mil pesos por bike.

Esse foi o verdadeiro tour da sorte X azar. Veja bem.

Fizemos a reserva do passeio ainda no Brasil e a agência nos respondeu avisando que o tour estava reservado, mas que dependia das condições climáticas. Além disso, no dia 30 seria o último tour do ano, depois eles encerrariam para um recesso. Ufa. Sorte. Por um dia, quase não conseguimos.

Ao chegar em San Pedro, fomos direto na agência para efetivar o pagamento. Então, lá nos avisaram: “o pagamento será feito somente às 20hs, pois precisamos ver como vai estar o céu”. Naquela semana não tinha saído nenhum passeio porque o céu estava muito nublado. Azar. Ai, ai, ai. Saímos da agência, olhamos para o céu: limpo, limpíssimo. Passeamos pela cidade, compramos os outros tours e retornamos às 20 horas. U-hu, passeio confirmado para às 23hs. Sorte mais uma vez.

Voltamos para o hotel para descansar e colocar uma roupa para enfrentar o frio. Quando colocamos o pé para fora do quarto e olhamos para o céu, não podíamos acreditar: estava tomado de nuvens. Que azar! Chegamos no ponto de encontro e um funcionário avisou que o passeio estava cancelado. E foi buscar a chave da agência para fazer a devolução do dinheiro. Mal podíamos crer naquilo.

Nesse meio tempo, entre buscar chave da agência e devolver o dinheiro para 20 e poucas pessoas, não é que o céu limpou? Como nós ficamos como um dos últimos  da fila, conseguimos nos encaixar no passeio da meia-noite, que aquela altura, estava confirmado. Sorte!

Chegamos no local onde estão os oito telescópios. Alain é francês e é astrônomo e Alejandra é chilena e técnica em turismo. Se conheceram e casaram em 2003 e a idéia de criar este tour aconteceu naturalmente. Alain dá uma aula básica de astronomia enquanto podemos ver  a lua, os anéis de saturno, uma nebulosa, entre outras constelações através de telescópios muito potentes.

Na noite em que fomos praticamente lua cheia, o que pode ser uma sorte, pois fizemos uma foto incrível com um adaptador no telescópio, mas também pode ser um azar, pois a visibilidade das estrelas fica bastante prejudicada. Nem o laser verde, com o qual Alain aponta para localizar as estrelas, funcionava bem, ofuscado pela luz da lua. A má visibilidade combinada com ensinamentos na maior parte do tempo bastante básicos (muitas coisas que você já aprendeu no colégio e que não serão novidade) e o frio, tornaram o passeio de 2hs cansativo. Sim, foi muito legal, mas poderia durar menos tempo. Acredito que numa noite com lua mais tímida, o passeio seja mais interessante.

De qualquer forma, eles são muito organizados e deixam claro que na lua cheia a visibilidade não é a mesma.

Onde encontrar: SpaceObs

Preço: 15 mil pesos/pessoa (R$ 55,00 aproximadamente)

Sem muito tempo para descansar, após uma manhã incrível no Geyser del Tatio, encaramos o Valle de la Muerte. O Valle é chamado assim porque nada cresce ou sobrevive devido ao seu tipo de solo, e está localizado na Cordillera de la sal, que é bem próximo de San Pedro.

Chegando no local, nossa guia nos informou que começaríamos com uma pequena caminhada de 30 minutos, morro acima é claro! A subida não é dificil, mas para quem acordou as 04:00h da manhã somado a um solzinho de 40º, começa a fazer diferença. Já no topo, o visual é de um cenário incrível esculpido naturalmente e mesclado por rochas e dunas, aonde é possível praticar sandboard. Lá de cima, além de admirar o valle, você também pode observar alguns dos vulcões da região.

Como todos sabem, depois de subir e curtir o visual lá de cima, chegou a hora de descer. E aí que vem a melhor parte. Descer correndo duas dunas gigantes. Com certeza é a parte mais light do tour e aonde rolam algumas das fotos mais divertidas. Lá embaixo, mais uma caminhada rápida até nosso transporte. Nós e mais um bocado de areia depois desta corrida pelas dunas.

Na sequência seguimos ao Valle de la Luna, que foi o passeio menos interessante de todos, não só pelo nosso cansaço, mas também se comparado com os outros locais que visitamos. Depois do pôr-do-sol, hora de descansar!

No folheto que ganhamos ao visitar os Geysers del Tatio, havia uma recomendação para consumir comidas leves e não beber álcool no dia anterior à visita. Tarde demais! Como nosso passeio estava marcado em plena noite de ano novo, além de jantar, nós tomamos uma garrafa de champagne. E para completar, só dormimos 3 horas, já que o ônibus passaria para nos buscar às 4h da madrugada. Mas tudo saiu bem, nem chá de coca foi preciso. 🙂

Seguimos para uma viagem de aproximadamente de 2h30, mas eu apaguei imediatamente e só acordei ao chegar no destino final. Não fazia muita diferença ficar acordada mesmo, afinal era noite e não dava para ver nada lá fora.

Faz bastante frio no complexo do Tatio, onde as temperaturas chegam a ser negativas. Fomos preparados com roupa térmica, toucas, luvas, etc. Algumas pessoas relatam sentir um mal estar, causado mudança de altitude (saímos de 2.400m para 4.500m ). Em nosso grupo, todos passaram bem.

Não é à toa que o passeio começa tão cedo, pois é o horário que tem o ápice dos geysers em “ebulição”, com jatos que chegam a atingir 10m de altura. Quando surgem os primeiros raios de sol, a luz reflete no vapor, formando imagens mais bonitas ainda. Ao mesmo tempo, o sol ameniza o frio e logo a temperatura já se torna agradável (mas ainda assim é frio, não se engane).

Os mais corajosos enfrentam a piscina termal, com águas calientes a 33 graus. Nós não encaramos. O café da manhã foi ali mesmo, em meio aos geysers, que já começavam a ficar mais tímidos.

A estrada de volta é um show à parte. Ao longe, quando você menos espera, surge um grupo de vicunhas passeando “felizes e contentes”. Mais adiante, uma outra vicunha solitária observa o movimento do alto de um morro. Ao notar nossa presença, ela sai em disparada, sem dar tempo de fotografar. Contrastando com o marrom das montanhas, encontramos um local de descanso e pastagem para as dezenas de lhamas que lá estavam. Não  adianta, durante todo o trajeto não tem como não parar de falar “lindo”, “fantástico”, “incrível”.

Logo em seguida, chegamos ao povoado de Machuca, que já foi praticamente extinto e que só existe ainda devido ao incentivo do governo que estimulou as famílias a retornarem. Todas as casas possuem placas de energia solar, o que convenhamos, é mais do que adequado num local onde raramente chove.

Por fim, passeamos por uma pequena trilha na Quebrada Guatín, para observar o cactus típico da região.

Algumas pessoas estão curiosas para saber quanto custou nossa viagem para o Atacama. Já falamos sobre os preços dos tours e vamos falar aos poucos sobre restaurantes e hotéis. Mas para ajudar esses leitores, aqui vai um post “resumão” do custo da viagem. Mas já aviso, a palavra que vocês mais vão ler aqui é “depende”.

Passagem aérea: o primeiro “depende” do post. Depende se você vai com milhas ou não. Fiz uma pesquisa no Decolar para uma passagem partindo de SP para Calama no final de fevereiro e o preço mais econômico foi U$718,00. Já para quem vai com milhas  até Santiago, a passagem de  ida e volta  de Santiago/Calama custa entre U$200,00 a U$300,00 (com a Sky Airlines).

Transfer até San Pedro: aproximadamente U$35,00 por pessoa, ida e volta.

Hotéis: Depende do hotel, obviamente. San Pedro tem desde hotéis de luxo a hostals. No Trip Advisor, o preço médio mais barato custa U$62,00 e o mais caro U$900,00. O hotel que ficamos custou U$185,00.

Alimentação: também depende. Nos restaurantes mais legais você vai gastar em média U$25,00 por pessoa (sem bebida alcóolica). Tem vários tipos de restaurantes e também muitos mercadinhos.

Tours: nesse post comentamos sobre os preços dos principais tours oferecidos pelas agências. Custo em torno de R$250,00 por pessoa, todos os tours.

Bom, calculadora em mãos, escolha que tipo de viagem quer fazer e quantos dias pretende ficar no Atacama. Inclua na sua conta muita água mineral e protetor solar.

No post anterior já falamos bastante sobre a Grado 10, que foi a agência que escolhemos para fazer os passeios pelo Atacama e que recomendamos pela excelente qualidade. De qualquer forma, segue abaixo um comparativo de preços de outras agências que consultamos.

Algumas observações importantes:

– Os passeios são muito similares, acredito que mudem muito pouco de uma agência para a outra, talvez uma ou outra rota diferente.

– O que muda mesmo é ônibus e o serviço. Um casal de brasileiros nos disse que a agência que contrataram serviu um pão com queijo e café frio no passeio do Geyser enquanto nós comemos panquecas com doce de leite e torradas de presunto e queijo. Portanto perguntem todos os detalhes na hora de contratar para não entrar numa fria.

– Os preços estão em pesos e foram cotados em janeiro/2010.

– Os preços não incluem as entradas que variam entre 1.500 a 3.000 pesos cada (muda conforme local e tem desconto para estudante)

– Vale lembrar que ao comprar todos os passeios com uma mesma agência é possível (e é de praxe) negociar um desconto (em média 10%).

– Esses são os passeios básicos/imperdíveis para quem visita o Atacama, mas há outros além desses.

– É possível fazer todos eles em 2 dias, mas é bastante cansativo.

Outra informação importante para quem está programando uma viagem para o Atacama é saber os horários de saída/chegada dos tours, assim é possível organizar bem os seus dias na cidade. Quase todas as agências praticam o mesmo horário.

Links das agências:

Desert Adventure

Grado 10

Vive Atacama

Atacama Connection

EcoRed Lickan Antay (não tem site)

Onde encontrar outras agências e informações:

Portal Turístico de San Pedro

Primeiro dia no Atacama. Desembarcamos no pequeno “aerodromo el loa Calama”  – menor do que esse só conheço o de Santorini – e uma senhora nos esperava com uma plaquinha onde estava escrito “Don Raupp” (chique, muito chique ser chamado de Don não é verdade?). Seguimos num carro privado rumo a San Pedro, numa estrada muito bem conservada e bem sinalizada, com as linhas de marcação no asfalto recém-pintadas.

Check-in feito, decidimos almocar e caminhar pela cidade para pesquisar os preços dos passeios para os dias seguintes. A recepcionista do hotel, que era muito divertida, nos indicou a Grado 10: porque tinha um veículo super equipado e um público mais jovem, “as outras agências são mais para abuelitos”.

A cidade é muito pequena, praticamente uma rua principal que pode ser percorrida em 15 minutos (ou menos). Você vai encontrar mercadinhos, lojas de artesanatos (todas idênticas), restaurantes e operadoras de turismo. E nas ruas laterais hostals e hotéis. Além disso tem uma praça principal com uma igreja, prefeitura, um museu.  E apenas 4 ou 5 caixas eletrônicos. E acabou a cidade que serve de base para todos os passeios no maior deserto do mundo.

Nas lojas e restaurantes, muitos dos funcionários são bolivianos ou santiaguinos (ou seja lá como chamam os que nascem em Santiago).

O ar é muito seco e na boca às vezes fica uma sensação de estar comendo terra. O sol é muito forte, tão forte que ao lado do museu tem um SOLmaforo, um medidor de raios UV. Quase não há vento durante o dia e à noite a temperatura começa a cair. As construções feitas de adobe e telhado de palha natural: impressionam pela isolamento térmico: mesmo com todo o calor na rua, a temperatura interna é muito agradável, tanto de dia quanto de noite. Dos 5 dias que estivemos na cidade, ligamos o ventilador apenas uma vez. À noite usávamos alguns edredons e cobertas, mas sempre estivemos muito confortáveis.

Voltando ao assunto das agências de turismo, fomos até a Grado 10 e gostamos deles de cara. Para não fazer nenhuma compra por impulso visitamos outras 4 agências. Os preços eram muito similares, mas a Grado 10 prometia uma qualidade superior. Apostamos na agência e não nos arrependemos nem um pouco.

Muito preocupados com os detalhes, a Grado 10 nos surpreendeu até mesmo quando não esperávamos mais nada deles. No caminho para os geysers del Tatio, eles forneciam cobertores para aquecer o corpo nas 2 horas de viagem gelada na madrugada, além de luvas e casacos térmicos para aqueles que estavam desprevenidos. As refeições eram muito gostosas e o atendimento muito cordial. Até mesmo no último passeio quando a moça aqui já estava muito cansada e não quis subir um morro, o dono veio oferecer ajuda para subir. O guia era excelente, muito bem informado e inclusive já havia vivido junto aos povos locais aprendendo sua cultura. Era um defensor das tradições atacameñas, da natureza e falava um excelente inglês.

O caminhão é um capítulo à parte. As poltronas são confortáveis, espaçosas e reclináveis. As janelas são grandes e tem uma boa abertura, para que seja possível fazer fotos durante o caminho (e serão muitas horas de viagem em todos os passeios). A janela dianteira também abre e por ela é posssível subir no  teto do caminhão. Nas lagunas altiplanicas, uma parte do trajeto é feito lá em cima (mas o frio é de lascar).

Embaixo, o caminhão tem vários compartimentos onde são guardadas mesas, cadeiras e até mesmo uma chapa, onde é feita a comida. A bebida vai desde sucos, cervejas, pisco sauer. Sempre geladinhos. Como as refeições são feitas no meio do deserto, eles controlam até mesmo a quantidade de guardanapos distribuídos: nenhum lixo pode ficar para trás.

Sobre a idade, eu diria que 70% do grupo que fez o passeio conosco tinha idade até 35 anos.

Valeu muito a pena fazer o passeio com eles. No próximo post, vamo indicar os preços das outras agências, passeios e horários de saídas.

Com a proximidade dos feriados de fim-de-ano e milhas a expirar na Tam, começamos a planejar nossa próxima viagem. Como não estávamos muito a fim de perder horas e horas dentro de um avião, optamos por viajar para o Chile. O Vini já conhecia Santiago, Valparaíso e Pucón, onde escalou o Villarica em 2006. Eu não tinha viajado para o país ainda, então qualquer lado, norte, sul, ou Ilha  de Páscoa seria novidade.

Elegemos dois finalistas: Ilha de Páscoa e Atacama. Após muitas pesquisas, acabamos optando pelo Atacama mesmo. Mais ou menos na mesma época um post no Viaje na Viagem caiu do céu: dicas para comprar passagens mais baratas no Chile. Seguimos o conselho de comprar a passagem por email com a Sky Airline, mas o preço mais promocional não rolou. A taxa para estrangeiros era maior do que a taxa para chilenos, ainda assim era bem mais barata do que a Lan. Quando chegamos no aeroporto de Calama (que é a porta de entrada para San Pedro de Atacama), descobrimos uma terceira companhia aérea que voa para lá: a PAL Airlines.

Comparando os preços para março/2010, a vencedora em economia é a PAL. Já em qualidade só podemos falar da Sky, cujos aviões são bem antigos. Até o cinto de segurança é daquele tipo que não se vê mais por aí. Mas foi tão pontual que chegou antes do tempo marcado, cumpriu honestamente o serviço e foi econômico (mas esqueceram de nos avisar que o voo de retorno tinha uma escala).

Para quem tem tempo de sobra e não quer gastar muito, a empresa de ônibus regular que vai para Calama é a TurBus. A viagem é longa, aproximadamente 1.500km. Há uma outra opção mais interessante que é o Pachamama, um ônibus do tipo “hop on-hop off” que faz vários destinos pelo Sul e Norte do Chile.

Alguns aventureiros encaram a rota de carro mesmo, nós encontramos um casal de brasileiros que viajou do Paraná até o Atacama. Obviamente eles tinham um carro adequado para isso.

Resumindo, o melhor modo de ir para o Atacama é de avião mesmo, principalmente se você tem pouco tempo para viajar. O aeroporto fica em Calama e você precisará ainda fazer um transfer para San Pedro de Atacama, que é a base para todos os passeios pelo deserto. O transfer custou 16 mil pesos para o casal. Não pesquisamos outros meios de ir até a cidade, contratamos o serviço oferecido pelo hotel mesmo.

O tempo ideal de estadia para conhecer o Atacama é de 4 a 5 dias. Menos é perda de tempo, afinal você não terá se deslocado até lá  para dar só uma passadinha, certo? Se tiver pouco tempo, deixe o Atacama para uma outra oportunidade.

p.s. Para quem estiver se perguntando se vale a pena conhecer Calama, na época das minhas pesquisas, li que não vale a pena, pois a cidade tem como atrativo apenas as minas e um tour para conhecê-las. A menos que você tenha muita curiosidade em conhecer, senão, siga direto para San Pedro.

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