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Em meados de janeiro fomos renovar nossos velhos passaportes verdinhos, queridos companheiros de viagens. Fizemos o agendamento – e foi relativamente rápido, conseguimos agenda para menos de 10 dias. Prazo razoável. Chegando lá, meu título de eleitor estava bloqueado e tivemos que voltar para casa. Após resolver o problema do título, fizemos uma nova tentativa de agendamento. Mas aí a disponibilidade já era para mais de 1 mês, ou seja, somente em março!

Março chegou, fomos até o DPF (na Lapa) e aproveitei para fazer um pequeno dossiê dos acontecimentos por lá no dia 01 de março.

– 4 pessoas na triagem, sendo que a maior parte do tempo estavam sem fazer nada.

– 3 funcionários de bate-papo, sendo que uma delas era a mesma que já estava de bate-papo quando estivemos lá em janeiro.

– 4 funcionários para entregar os passaportes prontos. Durante o tempo que estive observando, não apareceram nem 10 almas buscando passaporte, assim sendo, eles ficavam a maior parte do tempo olhando para as paredes.

– 6 funcionários para o atendimento dos passaportes em si, sendo que haviam mais de 50 pessoas esperando (e eu só contei quem estava esperando sentado).

– 8 computadores + máquinas fotográficas + scanner de impressão digital ociosos.

– Atraso de 1 hora no agendamento

– Tempo de atendimento para fazer o passaporte: 10 minutos

– Prazo para buscar os passaportes novos: 8 dias corridos

Ufa. Ainda bem que a próxima saga é só daqui 5 anos.

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Atualizando: 4 horas após eu publicar este post, recebo um email do DPF avisando que o passaporte que eu (não) fiz em 11 de janeiro já está pronto. Piada, né?

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Com muita frequência recebemos perguntas de leitores aflitos sobre a questão da inadmissão/deportação na Europa. Eu sempre respondo a mesma coisa: peça orientação a uma fonte oficial, leve todos os documentos possíveis e vá tranquilo!  Se você é um turista de FATO não há nada a temer.

Infelizmente, eu que até então só conhecia dois casos de inadmissão, ambos por justa causa, agora conheço um caso onde realmente uma pessoa foi injustiçada, magoada e porque não dizer, humilhada. Participei de todo o drama na época, ajudei a enviar mais e mais documentos para a Espanha, liguei para o Vinicius que estava em Barcelona para ver de que forma ele poderia ajudar de lá. NADA ADIANTOU.

Antes de mostrar o texto que nossa amiga fez ao Inquietos, eu acho importante salientar que eu ainda continuo dando o mesmo conselho do primeiro parágrafo. Pense bem: quantos amigos você conhece que já tiraram férias incríveis na Europa? E quantos foram barrados? Tenho certeza que sua resposta tem mais a ver com finais felizes do que tristes.

Por isso, hoje eu complementaria meu conselho apenas com a seguinte frase: EVITE ENTRAR PELA ESPANHA! E vá tranquilo.

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Barrada em Barajas

Eu estou devendo este post pra Pri faz mais ou menos uns 6 meses. Mas esta semana eu estava assistindo a Copa Davis de Tênis, e vi uma placa com dizeres que me lembraram da promessa quase esquecida: Madrid. Tourism Destination.

Explico: em junho deste ano, eu me uni às estatísticas e fui barrada no aeroporto em Madrid. Eu estava começando minha viagem de férias pela Europa: alguns dias em Madrid, uma bela semana em Barcelona, seguido de um passeio de carro pela costa sul da França onde, no final da viagem, eu me juntaria à dois amigos e colegas de trabalho pra receber um Leão de Ouro em Cannes. Tudo isso não aconteceu – no mesmo dia em que cheguei – entrei num avião de volta ao Brasil.

Cheguei em Madrid ao meio-dia de lá. No primeiro guichê me perguntaram qual o motivo da viagem: turismo. Olharam meu passaporte e me pediram para aguardar. Alguns minutos num banco, vou para uma salinha. Depois de algumas perguntas, fui para uma segunda, essa já fora da área de desembarque, onde aguardei minha entrevista com a polícia espanhola.

E foi mais ou menos assim: eu tinha tudo que poderia precisar na minha viagem. Reserva em albergue, passagem de volta, dinheiro, seguro saúde. Na minha entrevista (só pra mostrar o quão aleatórias são as decisões), a policial me pergunta quanto dinheiro eu tenho: 400 euros em dinheiro, que mostrei pra ela na mesa, 600 euros no Visa Travel Money e mais 3 cartões de crédito internacionais. Ela me volta com outra pergunta: como eu poderia provar quanto dinheiro tem nesse tal Visa? Eu apresento na mesma hora o comprovante de depósito, onde diz: € 600. Pensei, ok, tudo certo, agora vou pra minha trip. E a policial gentilmente me devolve o papel e diz: “Isso está em português, a Polícia Espanhola não tem obrigação de compreender este documento”. E assim, sem razão ou explicação, fui mandada de volta pro Brasil. No mesmo dia, exatas 50 pessoas foram mandadas de volta pros seus países. Todas elas Sul-Americanas.

Claro que tem muita gente que entra lá pra morar e tirar emprego dos espanhóis, mas o critério absurdamente aleatório e possivelmente baseado em metas diárias de pessoas barradas no país também estão estão barrando a entrada valiosa de Euros na Espanha (lembrando que a Espanha foi um dos países da União Européia que mais sofreu com a crise deste ano e é um dos que está com mais dificuldades pra se recuperar). Se querem tornar mais difícil a entrada, que o façam, mas façam direito. Mantenham sempre os mesmos critérios de entrada, exijam sempre os mesmos documentos, e de preferência, peçam que os vistos sejam solicitados ainda no seu país de origem. Isso certamente teria me poupado muita dor de cabeça e uma passagem pra Europa (sim, perdi a passagem que eu tinha comprado).

Não vou nem entrar na questão financeira, pois por mais que doa no bolso, é apenas dinheiro. O pior é a situação em que se é colocado. Uma sala cheia de gente, cadeiras daquelas de plástico, num clima horroroso de gente chorando. Um policial te acompanha até o avião, você entra depois de todo mundo, e isso tudo sem seu passaporte. Ele é entregue num ziploc do policial pro comandante do avião, deste pra uma funcionária da Tam em terra, e desta pra Polícia Federal no aeroporto em Guarulhos. Ou seja, neste meio tempo, você simplesmente não tem identidade.

Vale a pena comentar que assim que cheguei no Brasil fui super bem tratada pela Polícia Federal. Me fizeram várias perguntas dos motivos da minha inadmissão e apenas não se mostraram mais chocados pois parecem ouvir isso todos os dias. Mas foram super atenciosos, me deram documentos do Ministério de Relações Exteriores pra que eu os procurasse e insistisse pra que fosse tomada uma providência em relação à esta situação diplomática com a Espanha. Além disso, pude fazer meu passaporte novo sem pagar nenhum tipo de multa. É inclusive recomendado pela Polícia pra que não se sofra qualquer tipo de preconceito numa nova tentantiva de entrada no país ou na Europa (ser inadmitida é bastante diferente de ser deportada. No segundo caso você não pode entrar em 10 anos no país, e no primeiro pode voltar no dia seguinte caso queira).

Não vou promover nenhum tipo de boicote à Espanha, e ainda tenho muita vontade de voltar pra lá. Mas certamente verei tudo com outros olhos e vou pensar algumas vezes se deixo meus euros.

Ah, pra saberem como terminou minha história, eu acabei passando minhas férias em Ushuaia, numa viagem incrível e que recomendo pra todo mundo. Se a Pri quiser, posso escrever um post sobre essa viagem também, e prometo não levar mais 6 meses pra isso 🙂

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Mari, com certeza queremos um post sobre Ushuaia! Viajar tem a ver com alegria e por isso seria ótimo ter um texto teu por aqui contando sobre todas aquelas paisagens incríveis que você viu.

De vez em quando surgem nos jornais notícias de pessoas que foram deportadas ao chegarem na Europa. Em geral são relatos de Madrid, Londres ou Paris, justamente as portas de entrada mais usadas por nós brasileiros. Conhecemos duas pessoas que já passaram por isso, ambas em Londres, ambas por justa causa, pois não eram turistas mesmo.

A Vivi nos pediu para contar como foram nossas experiências, já que ela também irá em breve para Londres.

Em geral, nossa entrada é tranquila, com poucas ou nenhuma pergunta. Em alguns países nem mesmo foi necessário abrir nosso passaporte (Alemanha e Grécia). Já na última viagem, indo de Amsterdam para Londres via Luton Airport, passamos por um questionário mais aprofundado. Não sabemos se foi porque o aeroporto estava vazio e o policial não tinha nada para fazer ou se ele não foi com a nossa cara mesmo.

Foram várias perguntas: qual era nossa relação, por que um vivia no Brasil e outro na Espanha já que somos casados, onde trabalhamos e estudamos, onde iríamos nos hospedar, quanto dinheiro tínhamos, onde estava nossa passagem de retorno, etc. Por sorte (ou cautela) estávamos preparados com diversos documentos. Mas acreditamos que o visto espanhol do Vinicius fez a diferença, assim como os vários carimbos de viagens anteriores.

Portanto, nossa dica para todos é: viajem prevenidos. Não tem porque correr riscos, principalmente se vocês são turistas de fato. Imprimam todos os comprovantes de sua viagem e fiquem tranquilos, pois vocês não tem nada a esconder.

Em geral os itens solicitados são:

– comprovante de hospedagem (alguns países não aceitam apenas a reserva, exigem o comprovante do pagamento antecipado);

– passagem de retorno;

– seguro de viagem

– extrato do Visa Travel Money (se você tiver, claro);

– dinheiro em espécie.

Mas sempre é bom verificar exatamente quais são as exigências de cada país (normalmente as agências de viagens sabem informar).

E voltem aqui para nos contar como foram as suas experiências. Boa viagem!

Inquietos

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